Grupo sul-coreano afirma que não pretende submeter seus trabalhos à próxima edição da premiação; decisão coloca em discussão a criação de uma categoria específica para o pop asiático e o espaço do K-pop nas principais categorias globais
O BTS voltou ao centro das atenções da indústria musical internacional. Desta vez, porém, não foi por um novo recorde de streaming, uma turnê ou lançamento. Segundo informações publicadas pelo Jornal de Notícias com base na AFP, o grupo sul-coreano decidiu não submeter sua música ao Grammy após a criação da categoria de Melhor Performance de Música Pop Asiática.
A decisão ocorre em um momento importante para o BTS, que retornou às atividades após o período relacionado ao serviço militar obrigatório de seus integrantes. Segundo a publicação, o álbum ARIRANG marcou essa nova fase e ganhou projeção comercial em 2026.
O episódio também abriu uma discussão maior: criar uma categoria dedicada à música pop asiática amplia o reconhecimento de artistas de K-pop, J-pop e C-pop ou acaba separando esses músicos das principais disputas da indústria?
BTS decide ficar fora da disputa do Grammy
De acordo com a reportagem, os integrantes anunciaram em suas contas pessoais no Instagram que decidiram não inscrever seus trabalhos na próxima edição do Grammy.
Na manifestação atribuída ao grupo, os artistas defenderam que a música seja apreciada independentemente de divisões relacionadas à região ou ao idioma.
A decisão chama atenção porque o BTS já construiu uma trajetória relevante dentro da própria premiação. O grupo participou de cerimônias anteriores, realizou performances e recebeu indicações, embora ainda não tenha conquistado uma estatueta.
A dimensão internacional alcançada pelo grupo também vai muito além do mercado sul-coreano.
Em 2020, “Dynamite” ajudou a consolidar esse avanço ao levar o BTS ao primeiro lugar da parada de singles dos Estados Unidos, tornando o grupo um dos principais símbolos da expansão global do K-pop.
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Nova categoria do Grammy provoca debate
O ponto central da controvérsia é a criação de uma categoria destinada especificamente à música pop asiática.
Segundo as informações divulgadas, o prêmio pretende reconhecer performances associadas aos mercados asiáticos, incluindo estilos como K-pop, J-pop e C-pop.
A proposta pode ampliar a presença dessas produções dentro da premiação, mas também provocou críticas nas redes sociais. Parte da discussão envolve o risco de artistas asiáticos serem direcionados a uma categoria regional mesmo quando suas músicas competem diretamente no mercado global.
Esse questionamento ganha relevância quando artistas sul-coreanos já aparecem em rankings internacionais, grandes festivais, plataformas de streaming e turnês mundiais.
O próprio BTS representa essa transformação. O grupo deixou há anos de ser um fenômeno restrito à Coreia do Sul e passou a disputar atenção com alguns dos maiores nomes da indústria musical internacional.
ARIRANG marca nova fase do BTS
A situação ganha ainda mais repercussão por acontecer durante a era ARIRANG.
Segundo a reportagem, o álbum de retorno tornou-se um dos grandes sucessos comerciais do grupo em 2026. O nome faz referência a uma tradicional canção folclórica coreana, enquanto o projeto aborda elementos relacionados à identidade do país após o período de pausa associado ao serviço militar dos integrantes.
Há, entretanto, uma particularidade importante.
As regras divulgadas para a nova categoria exigiriam uso significativo de pelo menos um idioma asiático. Dessa maneira, nem toda produção de um artista asiático necessariamente poderia concorrer ao prêmio.
Isso cria uma discussão adicional sobre como definir o que é “música pop asiática”: pela origem do artista, pelo mercado em que a obra surgiu, pelo idioma utilizado ou pelas características musicais da produção.
K-pop deixou de ser um fenômeno regional
A expansão do K-pop durante as últimas duas décadas transformou profundamente a indústria musical.
Grupos sul-coreanos desenvolveram públicos enormes na América Latina, Estados Unidos e Europa, enquanto plataformas digitais eliminaram grande parte das antigas barreiras de distribuição.
O modelo também transformou a forma como comunidades de fãs se organizam.
Redes sociais, transmissões ao vivo, plataformas de vídeo e serviços de streaming permitem que um lançamento realizado em Seul alcance milhões de pessoas em diferentes continentes praticamente ao mesmo tempo.
BTS tornou-se um dos maiores exemplos dessa internacionalização.
Além do desempenho comercial, o grupo ajudou a aumentar a exposição mundial da cultura sul-coreana, fenômeno relacionado à chamada Hallyu, ou onda coreana.
Categoria exclusiva: reconhecimento ou segregação?
Essa é provavelmente a principal discussão provocada pelo episódio.
Uma categoria específica pode criar espaço adicional para artistas que historicamente receberam pouca atenção das grandes premiações ocidentais. Ao mesmo tempo, existe o receio de que esse reconhecimento funcione como uma divisão artificial.
Se um artista asiático alcança sucesso mundial, surge a pergunta sobre por que sua obra deveria ser tratada prioritariamente como regional.
O debate não possui uma resposta simples.
Categorias especializadas fazem parte de grandes premiações musicais há décadas e podem oferecer visibilidade para diferentes gêneros. Porém, o crescimento global do K-pop torna cada vez mais difícil separar determinados artistas simplesmente pela origem geográfica.
No caso do BTS, a discussão torna-se ainda mais evidente porque o grupo já conseguiu resultados expressivos no maior mercado musical do mundo.
Decisão pode repercutir além do BTS
A posição adotada pelo BTS pode influenciar a discussão sobre futuras inscrições de outros artistas asiáticos.
Grupos e solistas precisarão avaliar como uma categoria específica se encaixa em suas estratégias internacionais e, principalmente, como querem que seus trabalhos sejam classificados.
O impacto também pode chegar às próprias premiações.
Se artistas asiáticos continuarem conquistando espaço nas principais paradas internacionais, a pressão para que concorram em condições semelhantes às de artistas ocidentais provavelmente continuará.
A questão ultrapassa o K-pop.
Ela envolve uma indústria musical cada vez mais globalizada, na qual idioma e localização geográfica têm menos influência sobre o alcance comercial de uma música.
BTS amplia discussão sobre o futuro das premiações musicais
A decisão atribuída ao BTS transforma uma mudança no Grammy em um debate internacional sobre identidade, idioma e reconhecimento artístico.
O grupo construiu sua carreira global justamente ultrapassando as fronteiras tradicionais da música sul-coreana. Por isso, sua decisão de não participar da próxima disputa possui um peso simbólico considerável.
A criação de uma categoria dedicada ao pop asiático poderá aumentar a exposição de inúmeros artistas. Entretanto, a reação provocada pela novidade mostra que a indústria ainda precisa discutir como reconhecer a diversidade sem limitar artistas globais a classificações geográficas.
Para o BTS, a mensagem apresentada é clara: a música do grupo pretende competir como música global, não apenas como uma produção definida por sua origem asiática.
